6 de novembro de 2013

Vai na Minha no Risk Management Summit 2013



Um desdobramento muito legal da nossa viagem à Tanzânia, em especial a escalada que fizemos ao Monte Kilimanjaro foi a minha participação como palestrante no Risk Management Summit 2013 promovido pela Next Business Media com apoio do PMI (Program Management Institute), que rolou no Rio de Janeiro nos dias 22 e 23 de outubro.





O inusitado convite surgiu a partir de um dos posts publicados aqui no VAI NA MINHA. Um dos organizadores procurava alguém que pudesse abordar o tema, gestão de riscos, de uma forma diferente, interessante e fora do contexto empresarial, para iniciar o evento abrindo a mente dos participantes e tirá-los do senso comum. E assim esbarrou com o nosso relato da descida do Kilimanjaro, curtiu e entrou em contato.  Com esse intuito, uma escalada ao Kilimanjaro fazia todo sentido.

Acertados os detalhes, me lancei a preparar a apresentação, uma tarefa que demandou bastante tempo e dedicação mas foi imensamente prazerosa, pois revivi mais uma vez toda a aventura, enquanto pensava na história que iria contar e montava os slides. A apresentação está disponível no site do evento. 




Apresentação no Risk Management Summit 2013 no Rio de Janeiro


Também li e reli diversos livros sobre Gerenciamento de Risco e escaladas que me proporcionaram alguns insights. Um que o público gostou e que foi posteriormente mencionado por outros palestrantes em suas apresentações, foi uma citação de um dos mais renomados alpinistas da atualidade, Ed Viesturs, o primeiro americano a alcançar o cume dos 14 maiores picos do mundo acima dos 8 mil metros de altitude sem a utilização de oxigênio suplementar: 

“Chegar ao topo é opcional. Descer é mandatório”.


- Ed Viesturs, No Shortcut to the Top


Muita gente foca tanto em chegar ao cume que se esquece disso. Nos nossos projetos profissionais é a mesma coisa. O sucesso de qualquer projeto depende da clareza e da precisão do seu escopo. Esse é o primeiro passo para um bom planejamento de projeto e por consequência um bom planejamento de gestão de risco.



Outro ponto que despertou bastante o interesse foi o componente humano dos riscos envolvidos na escalada.

Por mais que nenhum dos trajetos que levam ao cume do Kilimanjaro exija o uso de equipamentos e técnicas de escalada e sejam mais um árduo trekking/hikking em altitude, os riscos envolvidos são consideráveis, por conta de diversos fatores, entre eles: a altitude (5895m), a brusca variação de temperatura (em questão de poucos dias você parte de um clima tropical para um clima ártico) e os impactos que esses fatores causam nas pessoas que se aventuram nessa empreitada. 


Kilimanjaro: Da floresta equatoriana ao gelo ártico em 5 dias

Ao final da apresentação me perguntaram, entre outras coisas, qual foi o maior risco que corremos e o que eu pude extrair disso para minha vida pessoal/profissional. 

Relembrando agora de toda a viagem, os problemas que tivemos antes, durante e mesmo depois em Rwanda já no trajeto de volta para o Brasil (esse episódio onde nossos níveis de stress conheceram um novo limite fica para um próximo post), o que mais me marcou foram mesmo os eventos que se sucederam durante nosso ataque ao cume, aqui relatados no post Climbing Kilimanjaro – Summit. 

É no trecho final da subida que se dá na madrugada do 5º para o 6º dia de escalada que realmente nos colocamos à prova dos perigosos efeitos da alta altitude. 

Percurso de 7 dias para o Kilimanjaro pelas rotas Machame (subida) e Mweka (descida)

Aproximávamo-nos dos 5 mil metros a passos lentos sob um frio intenso quando a Cláudia passou muito mal sentindo os principais sintomas do mal de altitude: forte náusea e enjôo associado a outros agravantes que todos lá em cima, em maior (me incluo nesse grupo) ou menor grau sentem, como fadiga, dor de cabeça e falta de ar. 

Havia ainda relativamente muito a ser percorrido e o grau de dificuldade da escalada só iria piorar com a proximidade do cume; o terreno ficaria mais íngreme, mais escorregadio e a temperatura ainda mais baixa. Nosso experiente guia local calculou que mesmo que conseguíssemos continuar subindo, no ritmo que estávamos levaríamos certamente o dobro ou mais do tempo normal e possivelmente perderíamos a janela de tempo bom que geralmente ocorre nas primeiras horas da manhã em que as nuvens estão mais baixas permitindo a visão espetacular que se tem lá do topo. 

Naquela altura já estávamos sendo ultrapassados por muitos grupos que haviam partido bem depois de nós, mas apesar de todo o prognóstico negativo, a Cláudia persistiu corajosamente por muito tempo (certamente muito mais tempo do que eu teria aguentado) antes de considerar seriamente que o mais prudente seria realmente voltar.

Foi nesse momento que senti que contou muito a experiência do nosso guia Nechi, que soube avaliar corretamente os sintomas e os riscos envolvidos e tomar as devidas medidas que permitiram que continuássemos subindo. 

De certa forma, “delegar” para outro uma decisão que pode colocar realmente em risco nossa vida é por si só uma decisão complicada, mesmo que essa pessoa tenha conhecimento e experiência nesse tipo de situação muito maior que a nossa. Esse “desprendimento” consciente e embasado, salutar para qualquer processo de decisão seja profissional ou pessoal é uma característica que não vem naturalmente e é sem dúvida um dos aprendizados que tiro desse episódio. 

O outro é que realmente não conhecemos os nossos próprios limites, tanto físicos quanto emocionais. Inexperientes nesse tipo de situação, nós realmente desconhecíamos até onde nossos corpos e mentes poderiam aguentar. Em nosso dia-a-dia não nos expomos a situações limítrofes e nossa tendência natural é desistir perante adversidades maiores. Só numa situação como essa é que percebemos quão aquém de nossos limites na realidade vivemos. Gostou? 

Leia também como foi a experiência na íntegra:


Por Claudia

O Daniel além de meu companheiro de viagem e palestrante, é criador do site EASYMAN, um serviço de assinatura e compra de itens de vestuário masculino (camisetas, cuecas e meias), funciona assim: Você escolhe os itens e a periodicidade de entrega e nunca mais se preocupa! Para quem não tem uma mulher que faça isso e não gosta de ir ao shopping é a salvação!!! VAI NA MINHA!



Yosemite Park - Mist Trail to Vernal and Nevada Falls


Agora eu estava indo para o destino que eu realmente queria! Vamos começar a caminhar pela natureza, mexer o corpo e sair da confusão urbana, que por melhor que seja não me fala ao coração.

O primeiro desafio foi entender como funcionam os parques, como se locomover neles, qual seu tamanho, tempo de um lugar ao outro, o que dá para fazer em um dia, como é o clima, como são hospedagens, serviços e comércio e outras tantas incógnitas. Agora que já fui, percebo que é MUITO fácil circular por lá, mas daqui não tinha a menor ideia.

Após olhar mapas e descritivos das trilhas listei algumas que eu imaginava que seriam legais e que se adequariam as nossas condições físicas, tempo disponível e interesses da turma. A MIST TRAIL estava na lista e com o relato da Larissa, trilheira que conheci em Berkeley, estava praticamente certa. Mas a decisão final só foi tomada no hotel com a ajuda da concierge, que disse que essa era a mais procurada. Além de ser linda, é uma das poucas cachoeiras com abundância de água nesta época do ano.

O Trip Advisor e o National Park Service oferecem um ótimo descritivo das trilhas e incluem mapas, instrumento indispensável para uma engenheira de planejamento de transportes como eu.  


Esse é o mapa básico das trilhas obtido no site do NPS

O percurso de ida e volta da Mist trail tem em torno de 11 km, com uma elevação de 610 m. O tempo previsto para o trajeto varia de 5 a 6 horas e vai depender de quanto tempo você resolve curtir cada etapa.

No dia da trilha, estacionamos o carro na Curry Village, abastecemos nossas mochilas com sanduíches  frutas, água e barrinhas de proteína na Grocery Store e pegamos o Valley shuttle até a parada 16, onde começa a trilha.


pela estrada

A entrada do Parque

  
No Tunnel View, um pouco antes de chegar o Yosemite Valley. Essa foto foi obtida em commons.wikimedia.org. Na nossa visita a cachoeira a direita - Bridalveil, estava praticamente seca.

o visual do Yosemite Park

local de abastecimento ao lado do estacionameto

complementando o breakfast

e aí vamos nós



Nesse momento um novo mundo começou a surgir para a Olívia e a Ana Carolina. Um mundo de gente que anda por aí. A Olívia chegou a me perguntar se ia ter mais gente na trilha....Após 2,4 km chegamos na base de Vernal Fall. Visual altamente recompensador e difícil de seguir adiante de tão lindo. Alguns já se dão por satisfeitos e voltam daí mesmo.

como a gente fica feliz e amorosa quando está na natureza!


Vernal Fall

 
Ana Carolina, Olívia (minha Filha) e Eu

com direito a arco iris

Agora vamos ver de cima! 

não dá vontade de sair daí


o pessoal tá animado e segue em frente


Vernal fall de cima para baixo

Um pouco mais adiante, Emerald pool, onde paramos para almoçar!



Embora os guardas muito educadamente peçam para ninguém nadar e explicam o perigo, muitos não se contém! Além de parecer tentador mergulhar com o calor que estava do lado de fora, tem também o desafio de entrar na água extra gelada e experimentar tudo, até o fim.


eu fui uma das que não resistiu, comecei com pézinho...

não dispomos de equipe de produção, cabeleireiro e maquiador, então é assim mesmo, descabelada!

apesar da cara, valeu!!! depois a gente relaxa....

os Maciços de granito sempre a nos rodear

Quando as meninas acharam que estava na hora de voltar eu falei que tinha a opção de ver mais uma cachoeira. Elas já estavam satisfeitas, queriam voltar, tive que negociar cada quilometro... Mas sempre me dei bem e encontramos alguém que deu um empurrão e me ajudou a leva-las para frente! Desta vez paramos uma família para que estava voltando. Pai, mãe e dois filhos adolescentes. Perguntamos se valia a pena seguir até Nevada falls, os filhos relutaram, meio que reclamando do esforço, o pai não deixou opção, mandou logo um STOP COMPLAIN! GO!!! Eu aproveitei a deixa e saí andando, para elas só restou ir atrás. 
A Olívia queria me matar, mas vocês vão ver a cara dela quando chegou lá em cima! Com essa ela aprendeu que pode mais e que vale a pena! Eu já sabia, afinal as duas são atletas e tem 22 anos!!!

Mais 2km até o topo de Nevada fall



a vista e o caminho para Nevada fall

Dá para notar que a trilha está bem mais vazia e o caminho tem suas dificuldades! Se somar o sol no coco e o calor...Leve muita água desde lá debaixo, porque por incrível que pareça, não recomenda-se beber a água que corre em abundancia pelo caminho. Nós tivemos que racionar.




subindo tipo cabrito!

no topo de Nevada fall, me fala se não vale o esforço?


Vai reclamar agora?

Olívia, depois da dor, o prazer!




o visual do topo de Nevada Fall




  
De volta a Emerald pool, com luz de fim de tarde

para baixo todo santo ajuda!
Novamente Vernal fall com sol de fim de tarde


 Agora muito orgulhosas do caminho percorrido!!!



congestionamento no parque?!?!!?

Sunset no Yosemite valley

Sunset em tunnel view


Em breve em video! 
No dia seguinte só caminhadas leves, aguarde!

Leia também:
Yosemite Park - Lower Yosemite fall, Bridalveil fall e Glacier Point
Yosemite park - Mariposa Grove of Giants Sequoias