17 de junho de 2013

VIAJAR - o que nos impulsiona a viajar?

Índia

Faz anos sinto necessidade de parar. Parar para pensar, ou melhor, repensar, a vida, a rotina e os próximos passos. Coisa que uma pessoa que mora em São Paulo e trabalha não consegue fazer. Férias, fins de semana, feriados não são suficientes para abrir espaço mental para essas reflexões. E assim a gente vai indo, empurrando as questões para frente, sendo levado pela correnteza, sem poder escolher o próprio destino. 


Mesmo assim sempre tentei me agarrar as margens, segurei um galho aqui e ali, gerei alguns conflitos em ambientes de trabalho, mas sobrevivi, como pessoa e profissional. 



Agora surgiu um tronco no meio da correnteza, uma brecha na vida, que eu resolvi agarrar. Estou deixando uma atividade, que não mais me supre como profissional, minha filha está indo morar fora, meu marido é uma pessoa que entende as necessidades de um indivíduo e minha mãe ainda está forte para poder ficar um pouco sozinha. 

Munique, pelo menos aqui eles surfam...

Preciso aproveitar esse lapso no tempo, preciso parar e andar, parar para pensar e andar para buscar. Milhões de questionamentos e dúvidas começam a surgir, até aquela: “porque inventar moda, porque não deixar tudo com está?” Essa é a clássica, gerada pelo medo, medo do desconhecido. Nessas horas parece que tudo era tão bom, todas as insatisfações somem da mente. 

Eu sempre amei viajar, fazer esporte e estar perto da natureza. Nem sempre percebi que a relação com outros era importante, principalmente em SP, onde a gente está sempre irritada com tudo e com os outros. Mas nas viagens percebo como me faz bem quando chego mais perto de outros seres humanos. 

Porque estou falando sobre isso? Porque nessa parada resolvi viajar para lugares que não consigo ir, em um mês de férias, fazer coisas sempre pensei em fazer, mas me pareciam tão distantes, como ficar em um monastério ou fazer trabalho voluntário. 

E aí me questionam, e eu me questiono por quê? O que me move a viajar? 

Moscou - Praça Vermelha

Pedi ajuda ao meu primo Daniel, companheiro de viagem, de busca e aprendizagem e colaborador do VAI NA MINHA. Eu sabia que a resposta deveria estar escrita em algum lugar, sabia que não era a única com esta questão, assim como não sou a única viajante, existem milhares de pessoas atravessando o planeta, seguindo antigas trilhas, de carro, a pé, bicicleta, moto. Cada um tem um jeito, mas a inquietação é mesma. 

Daniel Separou para mim alguns pensamentos que outros já tiveram e cada um responde uma parte de tantas questões. 

Qual "impulso poderoso" nos faz viajar até lugares distantes, com grandes sacrifícios e, às vezes, com grandes riscos? (A Arte Da Peregrinação - PHIL COUSINEAU

O impulso para viajar é tão antigo quanto as rochas, tão intemporal quanto a aurora e o poente no céu. Para alguns, viaja-se pelo amor à viagem, como Robert Louis Stevenson, que escreveu: "De minha parte, não viajo para ir a algum lugar, mas para ir. Viajo pelo gosto de viajar". A própria palavra viajante contém imagens de uma história de movimento. Henry David Thoreau escreveu: "Um viajante. Gosto desse título. Um viajante deve ser reverenciado como tal. Sua profissão é o melhor símbolo de nossa vida. Vindo de um lugar, indo para outro; é a história de cada um de nós"

Gostei dessa – A nossa própria vida é uma viagem, no sentido que é uma trajetória, nascemos uma pessoa, experimentamos várias coisas e morremos outra completamente diferente. 

Maldivas - relax também faz bem

Para outros, como a romancista francesa Colette, viagem sugeria possibilidades sensoriais: "Estou indo para um país desconhecido onde não terei passado nem nome, e onde nascerei outra vez com um novo rosto e um coração renovado". 

Essa também é ótima, já tinha pensado nisso – Quando viajo sozinha não sou ninguém, não sou engenheira, não sou a mãe de ninguém ou filha de alguém, não sou rica nem pobre, não tenho referencia, sou o que o outro vir naquele momento. Sou eu e posso me reinventar, ser quem eu quiser, posso experimentar. 

Para o vagabundo sem destino Mark Twain, longas viagens contêm em si a possibilidade de autodesenvolvimento: "A viagem é fatal para o preconceito, a intolerância e a estreiteza mental"

Adorei! Fatal para o preconceito! E com certeza para a estriteza da mente! A única coisa que sobra com o passar dos anos é a sabedoria. Sinto sede de aprender, tenho noção de minha visão é limitada, quero amplia-la, o máximo que conseguir. Me incomoda sentir que tenho uma parcial da vida, do mundo, das pessoas, do universo. 

Na sua notável antologia Maiden Voyages, Mary Morrissey cita a esplêndida descrição que Lawrence Durrell fez de Freya Stark, a exemplo do modo como as mulheres "viajam de maneira diferente pelo mundo": "Uma grande viajante [...] é alguém que se volta para dentro de si mesma. À medida que cobre as distâncias externamente, ela avança sempre em novas interpretações de si mesma, internamente". 

Pois é, não é só para mim, está escrito em livro e isso me faz me sentir menos só. Apesar dos muitos anos te terapia sei que o buraco negro ainda é maior. Quero tentar ser o mais justa possível comigo e com meu entorno e não há como se-lo se meu próprio ser me confunde.

Patagonia - Fitz Roy - Laguna Capri

Há uma tradição de viagem como uma espécie de universidade perambulante. Em seu livro clássico Abroad, Paul Fussell escreve: "Antes do desenvolvimento do turismo, viajar era concebido como estudar e seus frutos eram considerados o adorno da mente e da formação de julgamento. O viajante era um estudioso do que ia encontrando ... ". 

Essa foi ótima! Realmente a questão do desenvolvimento do turismo, confundiu todo mundo e até a mim mesma! O turismo fez viagem parecer só diversão, prazer, curtição, relax, compras... Acho que é preciso distinguir turista de viajante. Para mim viajar é mesmo ir a universidade perambulante! Amei essa! Viajar me deixa até tensa. Será que vai dar tudo certo? O que vou ter que aprender? Como vou me virar? Será que vou conseguir? Até por causa disso criei este blog, para deixar o próximo viajante menos tenso, por ter um pouco mais de noção do que irá encontrar pela frente. Por um momento penso se não estou atrapalhando o aprendizado como uma professora que assopra a resposta para o aluna. Mas acho que não, por mais que se leia, e se estude, NADA será como estar lá, como experimentar, como viver por si. Sem contar o fato que cada um vai sentir e ver de forma diferente. 

kilimanjaro - Tanzânia

Os viajantes são pessoas em movimento - passando pelo território alheio - buscando alguma coisa que podemos chamar de inteireza ou, talvez, fosse melhor chamar de clareza um destino para o qual somente o espírito pode apontar o caminho. 

Essa eu agradeço. Realmente ando atrás da clareza. Espero que o espírito me aponte o caminho. Me lembro um dia no fim de um safári no Serengeti onde eu tinha a certeza do que eu queria ser e fazer da minha vida. A clareza veio naquele instante, mas sumiu com a vida em São Paulo. Eu ainda me lembro o que eu senti e pensei, talvez agora esteja procurando um forma de colocar em prática.... 

A motivação dos viajantes foi sempre múltipla: prestar homenagem, pagar uma promessa, fazer uma purificação, cumprir uma pena ou rejuvenescer espiritualmente. A jornada começa em estado de desassossego, de profunda perturbação. Alguma coisa vital está faltando à vida: a própria vitalidade pode estar à espreita no caminho ou no coração de um santuário distante. 

O que une as diferentes formas de peregrinação é a intensidade da intenção, o desejo da alma de responder ao chamado de retorno ao seu âmago, não importa se isso pressupõe êxtase ou agonia. 

Para sermos tocados precisamos, por nossa vez, tocar. Quando a vida perdeu seu sentido, um viajante arrisca tudo para voltar a ter contato com a vida. 

Com certeza sempre me sinto mais viva no meio de uma montanha! Algo desperta dentro de mim, uma alegria profunda, uma enorme sensação de gratidão e amor pela vida e pelo universo. A sensação de que tudo é perfeito naquele momento, naquele lugar.

Machu Picchu com Daniel


Inseparável da arte de viajar está o anseio de romper com os hábitos tolos da nossa vida comum em casa, e se afastar pelo tempo necessário até ver realmente o mundo ao seu redor. Por isso, “a imaginação é mais importante do que o conhecimento”, no dizer de Albert Einstein e, também por isso, a arte de viajar é a arte de reimaginar como caminhamos, falamos, escutamos, vemos, ouvimos, escrevemos e nos preparamos para a jornada que nossa alma tão profundamente deseja. 

Mark Twain também vai nessa linha "A gente não se liberta de um hábito atirando-o pela janela: é preciso fazê-lo descer a escada, degrau por degrau."

Acho que essa explica porque um mês é pouco. Imagine quão difícil seria romper com os hábitos de uma vida? E mais precisamos imaginar novos hábitos e estar tão convictos deles que nem toda a correnteza do rio, nem todos os seres ao redor poderão de forçar manter os antigos hábitos, aqueles que não estavam sendo capazes de fazer você se sentir realmente vivo. 

No momento em que você decide quebrar as paredes do cativeiro e deixa sua alma livre e ir passear na jornada de novos ambientes, novas pessoas e novas ideias, você está dando ao seu eu interior uma oportunidade de ouro para explorar a parte oculta de si mesmo e desenvolvê-lo no sentido de uma forma positiva. Mudança de local e horário ajuda a relaxar sua mente e dar tempo para si mesmo. E o primeiro passo para o autoconhecimento é de fato a necessidade de dar tempo para si mesmo. 

O melhor é a certeza que essa busca se desenvolve sempre no sentido positivo, com benefícios para o viajante, seus amores e o resto da humanidade. 

Acho que essa reflexão faz parte do planejamento da viagem, afinal como decidir o que fazer sem saber qual o objetivo? Certamente os questionamentos não terminaram aqui e continuarei na busca. Sua ajuda na discussão será muito bem vinda.


Dubai - aqui é o centro do mundo
Abaixo as pessoas que eu amo, viajar com elas é ótimo, crescemos juntos,  mas resolvi coloca-las aqui porque é para elas que eu sempre volto.

Moscou - Mãe e filha, meus amores
Maldivas - meu marido, meu amor
Uruguay - copa Davis - meus tios, meus amores
Ilha de Páscoa - Paula minha amiga - meu amor

Campos de Jordão - Cássia e Cláudia , minhas amigas, meus amores
Leia também:


22 comentários:

  1. Anônimo8/5/13 16:43

    Adorei!!!
    Me reconheço nesse grupo: viajante!!!!!
    Já faz muito tempo que eu “vou na sua”!!!!!!
    A sua foto é mais linda que a minha. Mas a emoção e a felicidade tenho certeza que foram as mesmas....
    Marília

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  2. Adorei o blog!!!!

    Bem, pra mim é simples dizer meu impulso por viagem. Sou um
    bicho do mato e a natureza é a minha religião. Tenho impulso
    e sou completamente viciada em conhecer e fotografar todos os
    animais e biomas do mundo. Sair das cidades é o que me faz viver
    de verdade! :)
    Escrevi sobre viajar no meu blog tb: http://materianimal.blogspot.com

    Bjoos e estou te acompanhando!!! :)

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    1. Estamos juntas em sair das cidades'e o que me faz viver de verdade! valeu, vou ler seu texto sobre viajar!

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  3. Oi Claudia, acabei de receber seu e-mail, e desde já queria agradecer ! E já que você convocou os bogueiros, e não só blogueiros, mas sim blogueiros de viagem, se prepare !!

    Primeiro, parabens pelo blog. Segundo, parabens por esta postagem.
    Não existe somente um grande motivo para nós, viajantes inveterados, viajarmos ! Nós nascemos para aprender, descobrir, desbravar e ensinar. É uma coisa que começa desde pequeno, pois quando nascemos, temos uma visão abstrata do mundo que a cada experiência, sensação, contato, vivência aprendemos e começamos a ver e perceber o significado das coisas. Mas é interessante notar que mesmo depois de já termos experiência, as coisas não tem um significado definitivo, pois variam de pessoa a pessoa. De acordo com o que você já viu, do que sentiu, das experiências que viveu, essas coisas sim vão definir como você vai ver e entender o significado delas.
    Tomando isso como base, temos agora o fator principal de uma viagem. Mas que fator é esse? O destino ? O percurso ? Esses são fatores importantes, mas o que detém o maior valor é o ser humano, as pessoas.
    Indepêndente do que se faça, para onde viaje, por onde viaje, quando viaje, o fator mais importante é o ser humano. O ser humano é o que nos motiva a viajar. Nos viajantes podemos ir para vários lugares mas o ser humano continua sendo o motivo principal.
    Um engenheiro constrói e projeta para seres humanos e suas ramificações. Um Administrador estuda para gerir a empresa e principalmente as pessoas. A comunicação tem como sua base não a tecnologia, mas a necessidade de contato do ser humano.
    Conhecer novas culturas, novas histórias, novas realidades que deixam seu mundo de pernas para o ar. Conhecer aquele Indiano que juntou 3 anos seu salário só para poder viajar pela américa do sul por 6 meses, conhecer aquele alemão que já esta viajando a 3 anos, trabalhando, juntando e voltando a viajar.Conhecer um grupo de chilenos no meio da viagem, viajar 1 semana com eles e quando se despedir, deixar de certa forma parte de você com eles.
    Mas e as pessoas que viajam sozinhas ? Essas são as que mais tem necessidade de contato, de conhecer e descobrir. Elas viajam sozinhas por terem liberdade para fazer o que bem entenderem, ir para onde desejarem, se relacionar sem precoceitos com quem quer que for.

    Mesmo se esse viajante segue sozinho, ele vai querer voltar para algum lugar ou compartilhar com alguém o que viveu, o que passou, as dificuldade e alegrias que encontrou no decorrer do caminho.
    No livro e filme Na Natureza Selvagem(Into the Wild), Christopher McCandless, ou melhor, Alex Supertramp cita em seu diário uma frase marcante, como sua história de vida " A Felicidade só é plena se for compartilhada".
    Como diria nosso querido Raul Seixas " Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo". A viajem te muda porque o que você passa, quem conhece, o que ouve te muda de um jeito inimaginável !!
    Poderia ficar escrevendo aqui por muito tempo, pois é uma assunto gostoso e simplóriamente complexo !!!
    Esse sua postagem me inspirou !! Obrigadoo !

    Mauro Brandão
    http://maurobrandaopacking.wordpress.com

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    1. AMEI!!!!! fico feliz que tenha te inspirado. Obrigada por me ajudar a refletir um pouco mais, e me dar o conforto de que nao estou so nessa viagem!. A frase do Raul eu quase coloquei no meu perfil!!!!!!! incrivel vc ter escolhido ela!!! VALEU!!!

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  4. ebaaaa....sou seu amor e vc é meu também...esse final de semana nos conhecemos ... que delícia ser sua amiga ...beijos saudosos....

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  5. Amei suas respostas, objetivos, e questionamentos. A hora é muito propícia. Aproveite pq são poucas/poucos q conseguem essa primazia.
    Espero poder ouvir sempre notícias suas e quem sabe te encontrar em alguma esquina ou estrada.
    Gde abraço e boa sorte sempre.
    Ika

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  6. Oii Cláudia, gostei muito da sua postagem, e qtas viagens bacanas vc já fez, vi as fotos da Amazônia e adorei, foi uma das melhores viagens que eu fiz, gostei muito do seu interesse em saber o que nos move e por isso respondo como sempre respondo a quem me pergunta:

    P mim viajar é acumular tesouros na memória que ninguém pode nos tirar, como viajo com meu marido, sei que quando viajamos vamos de encontro a muitos encantamentos que ajudam e reforçam ainda mais o amor que sentimos um pelo outro, despimos a alma p vesti-la com outras vestes, e outras e outras e outras, tornando-a cada vez mais rica, e esse é o tesouro da vida, a riqueza da alma! Por isso viajo!

    Bjos e obrigado pela oportunidade de conhecer seu blog, virei muito aqui! Bjoos

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    1. Que lindo! me emocionei! obrigada de coração! venha sempre e sinta-se em casa , beijos

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  7. Entregar- se aos ensinamentos significa abandonar-se e viajar é uma excelente forma de aprender a descer os degraus abandonando e adquirindo experiências.
    Parabéns ! Vou na sua! Bj

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  8. Oi Claúdia
    cada um viaja por um motivo diferente. Eu viajo para conhecer o novo, me aventurar no desconhecido, sair da zona de conforto, matar minha curiosidade em saber como vivem as pessoas em determinado lugar. O que elas comem, como se transportam, como ganham a vida.
    Viajo para me tornar uma pessoa melhor, mais flexível, menos intolerante, menos preconceituoso, mais aberto a novas ideias, mais feliz.
    Em nosso blog tem até um post sobre porque viajamos. http://quatrocantosdomundo.wordpress.com/2013/02/17/nossa-viagem-de-volta-ao-mundo-nao-acabou-por-que-viajamos/
    boa viagem

    Eder - Quatro Cantos do Mundo

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    1. Gostei da parte que viaja para se tornar uma pessoa melhor! com certeza no final de tudo esse é o objetivo! valeu a contribuição, vou ler seu post!

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  9. Excelente Claudia. Muito legal essa reflexão do porquê mesmo viajar. E olha que com vários fundamentos. A verdade é que viajar é sempre muito bom. Só quem viaja sabe do quanto crescemos e aprendemos com cada uma das novas experiências. Então bora viajar.

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  10. Querida,

    Viajar é mesmo muito bom desde que a viagem não seja uma busca de algo que está irremediavelmente dentro de nós mesmos.
    Desejo que você se empolgue menos com a viagem em si do que com a introspecção necessária para a viagem interior.
    Felicidades em tudo o que você fizer.. Feliz Dia Das Maes. Isis que a ama muitissímo !

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    1. Essa é boa tia! pensei nisso no budismo ontem mesmo!
      na verdade acho que a viagem e os diferentes lugares e pessoas AJUDAM a gente a achar algo que está dentro...
      mas vc tem razão, seja lá o que for, está dentro da gente.
      beijos mil

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  11. Realmente uma viajante incansavel...mas com um mundo tao vasto, com tanto pra se ver e sentir...tem que aproveitar!! Vania

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  12. O que me move a viajar são as diferenças, de paisagem, de cultura, comida, o que for...
    Por falar nisso, aí embaixo vai o endereço de meu blog.
    Nele, entre outros temas, memórias, reflexões e fotos de minhas viagens pelos interiores do Brasil e de outros países da América, Europa e Ásia, contendo questionamentos e análises sociais e ambientais.
    Fique à vontade para pesquisar, ler, comentar, divulgar. Boas leituras!!!
    Abraços!!!
    http://viajantesustentavel.blogspot.com.br/

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  13. A sua inquietação é salutar e merece uma reflexão sobre o clima social neste início de milênio.
    Nos últimos 50 anos finais do século passado assistimos a uma profunda mudança do mundo do trabalho. Da busca de um emprego e seu respectivo salário, passamos para a busca de uma realização profissional em ambientes terrivelmente competitivos pois o ser humano passou a ter a renda financeira como medida exclusiva de valor pessoal. Em suas maravilhosas viagens você se deparou com outros valores: a beleza da paisagem local e o modo de vida de seus habitantes. Devem ter sido momentos de autenticidade despidos de ornamentos midiáticos. Em geral buscamos um momento de plenitude, e as artes através do belo nos possibilitam alcançar tais momentos, seja o movimento corporal na dança ou a transfiguração das formas e cores num quadro de Cezane.
    A exaustão da tão louvada competitividade já apresenta seus sinais. Um sociólogo francês (Vincent Goulejac) faz uma ótima análise, denominando a gestão como doença social e os gerentes como os culpados da situação. O resultado a qualquer custo, evitando as necessidades subjetivas do ser humano é algo paranoico. O grande colapso econômico de 2.008 foi a resultante dramática dessa doença; os "brilhantes" gerentes financeiros dos conglomerados financeiros ultrapassaram os limites do razoável ao acreditarem que dominavam os riscos assumidos frente a possíveis extraordinários lucros. Eles se consideram racionais e talvez ateus, mas fazem a idolatria do deus "mercado". E essa é uma lição do nosso tempo.
    A tese socrática do "cuidado de si" após 3.000 anos se revela como um bom e seguro caminho, pois de certa forma ele dizia: vai na minha e se conheça para erigir um bom modo de viver.
    Não é fácil achar um equilíbrio entre desejos e possibilidades, mas você tem se saído bem em suas viagens e vida pessoal. Examine suas potencialidades e siga seu caminho para uma realização pessoal planejada em uma tábua de valores que sua intuição lhe indica.
    Seja feliz
    Zanetti

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    1. Muito obrigada pelos conselhos mas simplesmente me entender já seria muito confortante.
      Ter você de amigo é um grande privilégio! Adorei o texto.

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